Catedral da Guarda
No final do Século XIV, D. Vasco de Lamego, partidário da causa de Avis, terá tido a iniciativa de propor ao rei D. João I (Mestre de Avis), a edificação da Catedral da Guarda nos primeiros anos da nova dinastia. A esse momento histórico corresponde o início da construção da Sé.
As obras foram muito lentas, com um estaleiro ativo que durou cerca de 150 anos. Porém esta circunstância fez com que a nossa catedral seja hoje um dos mais interessantes monumentos tardo-góticos em Portugal, com uma bem patente evolução de soluções estéticas, onde confluem linguagens arquitectónicas muito divergentes, desde as influências do mosteiro da batalha aos afloramentos mais puros do Manuelino. Com efeito destacam-se na Sé dois elementos artísticos essenciais: o Gótico e o Manuelino. A conclusão da Sé está certamente relacionada com a passagem do rei D. Manuel em 1498 terras da Beira, no tempo do bispado de D. Pedro Gavião (1594-1517). O Rei ao verificar que as obras estavam paradas tê-las-á mandado acabar.
O estaleiro Manuelino, correspondente a conclusão das obras da Sé, foi uma autêntica escola de arquitetura, onde os mestres pedreiros recrutados localmente tiveram intenso contacto com o Manuelino e a sua simbologia, reproduzindo as morfologias que associamos ao Manuelino por toda a província.
As abóbadas e a fachada principal da Sé, com as suas duas torres cuja robustez é própria da melhor arquitetura militar Manuelina, datam precisamente deste período.
No interior podemos encontrar dois tesouros: A capela dos Pinas e o Retábulo-Mor. A capela dos Pinas, proto-renascentista, foi mandada edificar por João de Pina, que ali se fez sepultar. O Retábulo-Mor, executado em pedra-de-ançã, de uma monumentalidade ímpar, pois é o maior retábulo em pedra executado alguma vez em Portugal. Deve-se ao Mestre francês João de Ruão, e à sua oficina Coimbrã. O retábulo é dominado pela imagem da Padroeira da Sé, Nossa Senhora da Assunção, ladeada por figurações de profetas, apóstolos, cenas da vida da Virgem, sendo o conjunto encimado por cenas da Paixão de Cristo.
No Século XIX, em 1810, no contexto da III Invasão Francesa, o retábulo foi vandalizado pelas tropas de Napoleão, lideradas pelo General Massena.
Já muito mais tarde, em 1898, o Arquitecto Rosendo Carvalheira, foi o responsável pelas muito controversas obras de restauro do edifício, então muito danificado.
Ao longo dos tempos, a Sé mereceu a admiração dos visitantes célebres da cidade da Guarda, de entre os quais, cumpre destacar Alexandre Herculano (1810-1877), que visitou a cidade na década de 60 do século XIX. E Miguel de Unamuno (1864-1936), no princípio do Século XX. Outro visitante célebre, da década de 1880, foi o grande arquiteto e teórico de restauro, Alfredo de Andrade (1839-1915), ativo em Itália, que teve oportunidade de descrever o edifício pela via do desenho.
É possível subir ao telhado do monumento. As vistas são as melhores de toda a região. Alargadas.







